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Porque o “Project Natal” Vai Falhar Miseravelmente

Wednesday, June 3rd, 2009 | opinião | 11 Comments

Caso você esteve numa ilha deserta, estava sem internet por causa de Telefônica, ou simplesmente não sabe do que se trata, segue um vídeo auto-explicativo do “Project Natal” (para leigos: o novo super “controle” que a Microsoft vai lançar pro Xbox 360).

Agora você pensa: “Wow! Um contole SEM controle!”. Sim, meus queridos! Assim como no Wii, tu coloca um aparato em cima ou em baixo da televisão e ele identifica os movimentos. Teoricamente esses sensores saberão quem você é, sabe onde tu tá, “escaneia” suas pernas, braços, cabeça, voz e a partir daí você “entra” no jogo. Sem nada nas mãos! \o/

Tudo muito lindo, não?!

É lindo, sim! É maravilhoso! Aliás, a idéia é excelente! Dois grandes nomes da indústria estão trabalhando com o Project Natal. Um deles é o famoso Steven Spielberg, que ajudou a fazer o jogo “Boom Blox” e o Peter Molyneux, presidente da Lionhead Studios (meu empreendimento #76). Esse último apresentou o Milo, um garoto virtual que apresenta movimentos faciais BEM realistas e a jogadora interagia com ele e o resto todo. Segue outro vídeo.

Mas Leão, por que essa bagaça vai falhar miseravelmente?

Antes de mais nada eu sinceramente queria/quero que essa bagaça funcione lindamente. Sério! Seria uma revolução da indústria dos games. Imagine tudo de novo que poderia surgir, outras coisas que poderiam ser feitas. Um Street Fighter onde tu efetivamente tem que lutar com o personagem, ia ser lindo!!! Mas vamos a alguns fatos.

A tecnologia é baseada em evoluções, pesquisas de anos e anos e gastando milhões e milhões de dólares. No mundo dos games podemos traçar uma linha histórica, ver daonde vem algumas coisas. Observem: a Wikipedia diz isso sobre “joystick“:

O joystick surgiu originalmente como controle de aeronaves e elevadores. Sua invenção é originalmente atribuída ao piloto francês Robert Esnault-Pelterie, existindo também reivindicações históricas entre os pilotos Robert Loraine, James Henry Joyce e Sr. A. E. George. Esse último foi pioneiro ao voar em um pequeno avião em Newcastle, na Inglaterra em 1910.

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O primeiro joystick da Atari, desenvolvido para o Atari 2600, foi um dos primeiros joystick digitais, composto por um simples “fire button” [...]

O Atari 2600 foi lançado em 1977, 67 anos depois, usando uma “tecnologia” já encontrada a muito tempo em aviões mil vezes mais caros que um simples console de jogo para a população. O que aconteceu aqui foi uma simples miniaturização de um joystick, para um uso do simples lazer dos seres humanos comuns.

Vamos a algo mais recente e também revolucionário. O nosso amigo Wiimote que todos conhecemos e já colocamos na mão(ui!). Para identificar os movimentos ele utiliza simples acelerômetros e transmite essas informações para o console. Legal, não? Sim! Acelerômetros são usados a anos, tem uma tecnologia relativamente muito simples e de fácil interpretação. Algoritmos para trabalhar com isso são muito fáceis.

Saindo do mundo dos games, podemos citar as câmeras digitais de hoje. Sim, antes de elas surgirem para o público, os CCD‘s foram usados em projetos de milhões de dólares. O que você acha que é o Hubble?! Uma grande câmera digital em órbita, que foi pro espaço (no bom sentido) em 1990 depois de inúmeras pesquisas. Eram duas câmeras, cada uma com 4 CCD’s de 800×800 pixels para montar a imagem final. Hoje já não é mais isso, mas quem se importa?

Aí eu pergunto: quando você teve sua primeira câmera digital?! Quando um CCD chegou na sua mão?

Agora vamos ao que importa. O “Project Natal” vai se basear em 4 coisas independentes: uma câmera RGB, um sensor de profundidade, uma matriz de microfones e um processador especial rodando um software proprietário. Até aí tudo bem. Câmeras são largamente utilizadas hoje em dia, sensores de profundidade tem inúmeras utilidades no campo da engenharia. Matrizes de microfones são utilizadas na captação de som “surround” e processadores especiais todos já vimos serem utilizados em inúmeras aplicações (GPU’s, por exemplo).

Todos essas tecnologias funcionam lindamente quando utilizadas isoladamente, cada uma com a sua aplicação específica. Como voce pode observar no meu “comparativo evolutivo”, todas as coisas citadas foram feitas isoladamente e sem um “mashup” delas pra fazer uma coisa só. Eu só fico pensando nos algoritmos a serem desenvolvidos. Na leitura de cada um dos pixels da câmera RGB. No reconhecimento de voz. No entendimento da profundidade… OMFG!

Pense no seguinte: hoje muita câmera “Cybershotzinha” tem indentificador de rostos, certo? Ela funciona 100% todas as vezes independente de condições de luz e whatever? Outra: existem inúmeros softwares de reconhecimento de voz. Eles funcionam sempre? Eles conseguem identificar tudo o que tu fala direito? Sensor de profundidade? Ahm… esse esquece. Nós pobres mortais ainda não temos acesso.

O que quero dizer é: se esses algoritmos não funcionam bem independentemente, imagina funcionando em conjunto com outras coisas?

Não posso afirmar que isso não funcionará, eu só não vejo um grande projeto aí que já utilize essa combinação de tecnologias para ela poder ser “miniaturizada” desta forma e ser utilizada pelo povo. Acredito que sim, isso pode vir a funcionar, daqui a alguns bons 10 anos, quem sabe. Acredito até que possa funcionar hoje, sob “condições normais de temperatura e pressão” ou “desconsiderando o atrito” (vai dizer que nunca viu isso em provas de física?). São muitas variáveis e muitas coisas a serem levadas em conta que sinceramente será extremamente difícil a interpretação de tudo.

A Microsoft tem a capacidade, sim, de surpreender. Trabalho com .NET a 5 anos e sou um ferrenho ativista na batalha contra o Java. Eles fizeram coisas magníficas e nunca antes imaginadas para facilitar o desenvolvimento de sistemas, principalmente web. Estou esperando me surpreender de verdade, mas utilizando uma análise fundamentalista de tudo, isso não me cheira bem.

O que você acha?

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